a minha prótese mental foi retirada hoje e sinto ainda comichão ...para quem tem menos fusíveis a luz apaga-se depressa mas também se acende lenta e amargamente...hoje coloquei o meu umbigo em cima da mesa que tinha uma prótese imaginária e deu-me comichão na mão amputada que segura um lápis azul e vermelho.....essas duas cores misturam-se no papel e sai um tom merdoso e medroso...sinto falta da minha prótese do negro e do branco enrolados... esqueci-me dela na casa de alguém de quem não me lembro.... prosaicamente...o que me vale é que ainda tenho as pilhas todas carregadas...e duram duram durmam! Malditas comichões!... já nem sei por onde mais me coçar.... próteses aqui próteses acolá...raios me partam as próteses! Ah espera lá...afinal eram só pulgas...Biokill...pufff pufff pufff..assunto resolvido...ufa!... ahhhhh merdaaaaaa eu esqueci-me.....eu sou uma pulga! Talvez ainda me dê tempo para me coçar....RIP
Poemar - ALEXA VENTO
quinta-feira, 18 de julho de 2024
terça-feira, 2 de julho de 2024
Covardia ganha na roleta russa
Lavo as pedras com lágrimas...
que se despedem de mim.
Cravando as garras...
do desalento no meu peito,
treino o desapego de mim.
Entre animais que não me reconhecem...
ensaio os pensamentos que criam o aparente vazio dentro de mim
O pó dos dias invade-me...entra-me na pele...sufoca a minha enfraquecida imaginação.
Este mesmo resto de cinzas de um coração que se incendiou...
tolda-me a memória dos dias.
E eu deixo-me arrastar pela corrente de um rápido que desce a pique para o abismo...
Abandono-me entorpecida a um destino que com a minha débil razão se confunde numa amálgama de dor...
Falta-me a audácia para viver e a coragem para morrer...
Entrego-me às lágrimas e à solidão..
Mergulho numa letargia oculta por breves sorrisos e aparentes gargalhadas...
Tento disfarçar a dilacerante tristeza de não mais ser eu...
Não me reconheço no espelho que guardo no bolso do coração.
Quem me dera que fosse só fechar os olhos...e toda a memória em mim e de mim se tornasse pó...
um pó que soprado pelo vento...
se espalhasse eternamente dentro dos salpicos da chuva
que lavam o rosto cansado de quem chora por e para um poema.
AVC
2 Julho 2024
sexta-feira, 10 de julho de 2020
quinta-feira, 18 de junho de 2020
Acidente gerador de palavras mudas
sábado, 9 de maio de 2020
terça-feira, 28 de abril de 2020
É fodido...
que não vale a pena lutar por ti
é fodido quando uns discutem milhões e tu contas tostões e às vezes já nem tostões tens para contar
é fodido quando a mãe que querias ter nem te faz um telefonema
e tem mais o que fazer
é fodido quando te levantas e afinal hoje também não tens do que sorrir e nem te lembras da ultima vez que o fizeste
é fodido virem aí as eleições e saberes que nenhum vale o teu voto e que se voltares a votar é sem esperança
é fodido pensar que sempre há quem se safe bem com uma boa intrujice e tu transbordas de gestos honesto sem um tostão no bolso
é fodido é fodido é
mas o que é mesmo fodido
o que é realmente fodido
é não teres a quem amar pois simplesmente metralharam toda a tua aldeia toda a tua esperança
é não teres um grão para encher o papo porque ao teu redor existe um deserto e pessoas que não te dão pão
é não teres mãe nem pai porque vives na Síria e já rebentaram com eles
é teres um sorriso permanente na cara desenhado por uma faca que mais uma vez te marcou quando o teu companheiro o desejou
é viveres numa ditadura em que só a palavra voto te pode matar te pode estripar te pode fazer desaparecer
é quando vives no meio de intrujas e nunca aprendeste nada de honesto a não ser jurar que te vingarás de todos eles
isso sim é que é fodido
fodido por fodido
olha que se foda!