terça-feira, 2 de julho de 2024

Covardia ganha na roleta russa

 

Lavo as pedras com lágrimas...

 que se despedem de mim.

Cravando as garras...

do desalento no meu peito,

treino o desapego de mim.

Entre animais que não me reconhecem...

ensaio os pensamentos que criam o aparente vazio dentro de mim

O pó dos dias invade-me...entra-me na pele...sufoca a minha enfraquecida imaginação.

Este mesmo resto de cinzas de um coração que se incendiou...

tolda-me a memória dos dias.

E eu deixo-me arrastar pela corrente de um rápido que desce a pique para o abismo...

Abandono-me entorpecida a um destino que com a minha débil razão se confunde numa amálgama de dor...

Falta-me a audácia para viver e a coragem para morrer...

Entrego-me às lágrimas e à solidão..

Mergulho  numa letargia oculta por breves sorrisos e aparentes gargalhadas...

Tento disfarçar a dilacerante tristeza de não mais ser eu...

Não me reconheço no espelho que guardo no bolso do coração.

Quem me dera que fosse só fechar os olhos...e toda a memória em mim e de mim se tornasse pó...

um pó que soprado pelo vento...

se espalhasse eternamente dentro dos  salpicos da chuva 

que lavam o rosto cansado de quem chora por e para um poema.

AVC

2 Julho 2024

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