Lavo as pedras com lágrimas...
que se despedem de mim.
Cravando as garras...
do desalento no meu peito,
treino o desapego de mim.
Entre animais que não me reconhecem...
ensaio os pensamentos que criam o aparente vazio dentro de mim
O pó dos dias invade-me...entra-me na pele...sufoca a minha enfraquecida imaginação.
Este mesmo resto de cinzas de um coração que se incendiou...
tolda-me a memória dos dias.
E eu deixo-me arrastar pela corrente de um rápido que desce a pique para o abismo...
Abandono-me entorpecida a um destino que com a minha débil razão se confunde numa amálgama de dor...
Falta-me a audácia para viver e a coragem para morrer...
Entrego-me às lágrimas e à solidão..
Mergulho numa letargia oculta por breves sorrisos e aparentes gargalhadas...
Tento disfarçar a dilacerante tristeza de não mais ser eu...
Não me reconheço no espelho que guardo no bolso do coração.
Quem me dera que fosse só fechar os olhos...e toda a memória em mim e de mim se tornasse pó...
um pó que soprado pelo vento...
se espalhasse eternamente dentro dos salpicos da chuva
que lavam o rosto cansado de quem chora por e para um poema.
AVC
2 Julho 2024
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