sábado, 10 de janeiro de 2015

À noite...

À noite
procuro a lua
mas ela esconde-se
timidamente
entre uma pincelada de nuvens

espero impacientemente
que a mãe-lua se mostre
e que a sua luz me invada
eu filha da prata e do mar
sozinha entre as minhas irmãs
pequenas estrelas perdidas da sua constelação

os gatos fazem-me companhia
lambem-me as feridas
aquecem-me os pés gelados

cubro-me com um manto de estrelas-anãs

a coruja canta num piar triste
voa em silêncio sobre mim

a erva molhada debaixo da planta dos pés

um pirilampo desperta-me o olhar

o sonho há muito que não me visita
mas o conforto da noite
adoça-me o sentir

o meu coração bate ao ritmo da chuva

há sete noites que te espero

mas quem és tu?

tu que me ouvias
com pequenos gestos me adormecias
com um olhar me soltavas o sorriso

os teus passos já não me acompanham
e no entanto
são a eles que sigo
seguindo entre silvas
que me marcam as pernas

a noite engoliu-te
amor!

aguardo que se lembre de mim
que me trague de uma vez!
que o musgo me cubra
e eu me confunda com as pedras


AV - Abril de 2006

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