quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Se eu pudesse...



Estou só
Se neste final de dia
Eu pudesse ter esperança
Não sei
Alguma esperança
Em alguma coisa
Às vezes tenho esperança
Esperança que a dor não me visite
Às vezes penso em ti
E a esperança aumenta
A dor adormece num abraço nunca recebido
Tu que me acompanhas 
Mesmo quando não me apercebo da tua presença
Tu que és mãe e curandeira
Tu que estás mesmo quando não estás
Se eu pudesse
Se eu pudesse tirar-te a dor com um sorriso
Um sorriso aberto sem porquê
Quanto de ti trago dentro de mim?
Não sei…
Às vezes vejo-te naquela palavra que não sai
Suspensa por um fio de timidez
Às vezes pressinto-te no olhar de curiosidade 
Com que olho para dentro de uma casa abandonada
Às vezes confundo-me com o teu olhar
Muitas vezes descanso nele

E sinto-me menos só

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