quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Curtos

Aliso as asas
para um último voo
estico-as
olho-as
e numa sacudidela
de asa
olho o abismo
mergulho
o coração bate
em corrida
o bico é o primeiro a partir

Assinado: Rapariga ave-rara



Ao cair
sinto cada um dos meus ossos
ossinhos
a partirem-se
um a um
dois a dois
três a três
a minha dualidade
exponenciou-se
numa explosão de
ossinhos

Assinado: Rapariga ossídica


Raios me partam
e partiram-me
racharam-me
queimaram-me
e de
uma tocha
morri eu

Assinado: Rapariga-tocha


10 dedinhos
9 sinalinhos
8 costelinhas
7 ossinhos do pé
6 ossinhos da mão
5 orgãozinhos
4 perninhas e bracinhos
3 coraçõezinhos
2 olhinhos
1 cerebrozinho

Tudo misturadinho
depois de uma queda
gradualmente calculada
do cimo de um morro
- Ai que morro!

Assinado: rapariga Ai coitadinha!


Por cima do chão
a rasar a erva alta
uns sapatos dependurados
em cima dos sapatos
um corpo pendurado
que balança
ao ritmo
de uma valsa lenta
a corda bem crivada
ao pescoço num laço
de gravata de defunto
é mais que um abraço
a corda pendurada
num sobreiro
que já conhece
outras cordas
com outros motes
e outras mortes

Assinado: Rapariga (que podia ser) de Odemira

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