quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Loucura

A loucura é como uma mãe para mim
Que não me traz qualquer conforto
Cria-me uma vontade de sair de mim
O medo dum confronto
Uma inquietação sem sentido
A dúvida com a aproximação de um carro
A atracção pela alienação
Uma sensibilidade de cirurgião
Sinto-me um pé num sapato apertado
Uma perna com uma cãibra
Um vinho azedo
Uma doente sem cura
Um grito mudo
A loucura é minha companheira
Segue-me como uma sombra
Escondendo-se atrás de cada pedra
Faz-me esperas à porta de casa
Procura-me em todos os bares
Traz-me debaixo da sua asa
Acorda-me a meio da noite
Para me chamar cobarde
Há dias em que me dá um açoite
Que me arrasta pelas ruas
A loucura é má conselheira
É um gato que me abre a ferida
Um pingar constante da torneira
Uma sede desmedida
Uma carta sem baralho
Um amor impossível
Uma manta em retalho
Uma dor invisível
Um fantasma diurno
Uma morte lenta
Um velho soturno
Uma campa à minha espera

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