quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Insonia

não durmo
desaprendi de sonhar
restam-me a poesia
e uma noite que se faz dia
o meu corpo solitário está frio
a roupa molhada pelo suor
de 1000 estratégias
para saltar nos braços de morfeu
uma ansiedade que me esgota
e me faz cair no mesmo momento
vezes sem conta
momento de negação do medo
medo de nunca mais dormir
não me digam o óbvios
já tomei um comprimido
supostamente milagrosos
já fiz milhentos exercícios
de yoga e de relaxamento
não
sexo não
estou sozinha
um vicio que tenho
pior que escrever às escuras
sozinha salvo seja
o gato jaime ressona
o que me dá uma inveja danada
antes trovejar que não dormir
restam-me a poesia
e uma noite que se faz dia
poesia que tem de viver dentro de mim
desgraçada e condenada,
pobre poesia que raramente é levada..
a passear pelos caminhos fora de mim
com sorte foge para o ecran do meu computador
ou para um pedaço de papel
onde por vezes se perde na minha letra manuscrita
que mais parece com-pé-escrita
com muita sorte é finalmente imprimida em papel
ai começa a liberdade total
passa de mão em mão, é tocada e retocada
admirada e mimada, principalmente por mim
sou a sua maior fã e a sua guarda prisional
porque raio este contraste
que nos atormenta às duas
medo de ser rejeitada por mim e por vós
medo da loucura que ela provoca em mim
como se as duas fossem irmãs siamesas
como se se a soltasse também soltasse
aquela que mais temo nesta vida
a loucura de mime vamos morrendo as duas
neste dilema
nesta guerra constante
que não me deixa dormir
restam-me a poesia
e uma noite que se faz dia
Dentro em pouco já não terei noite
os pássaros no meu jardim
já anunciam a caída do dia
a noite faz-nos companhia
a mim e à poesia
a poesia só me vence à noite
desperta-me e não me larga
enquanto não a liberto
mas estas insónias são incompativeis
com a minha vida diurna
afinal os poetas também têm de trabalhar
eu não quero ser poeta
e viver nesta noite confortável
mas à qual não sobreviveria por muito tempo
quero ser trabalhadora
formiga diurna
o problema é que não sei bem como
nem porquê
a poesia decidiu instalar-se dentro de mim
não estava a contar com isto
estragou-me os planos
e agora não sei bem o que fazer
dirão vós que escreva
que remédio tenho eu!
As irmãs siamesas são o meu maior tesouro
e pretendo conserva-las acima de tudo
mas tenho um medo que me pelo
que tudo isto me mate
mas enfim antes morrer de poesia
do que de trabalho não é?
Vou mudar de ideias quando nascer o sol
isto é já a poesia que me desconvence

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