O fado entra-me pela pele
a saudade invade-me
como uma estrada
que rasga o chão
o amor é uma gota
de triste lagrima
o inverno existe dentro de mim
sou só o que me deixas ser
perco-me nos meandros dos porquês
as palvras abafam-se
a tinta mancha-me a pele
pequena tatuagem de
perguntas
espero por ti
numa noite
em que só o teu nome
sai dos meus labios
cansados de te esperar
as minhas mãos perdem-se no vazio
na esperança
de um calor que não chega
entre duas palvras me perco
entre duas sombras
me escondo
esperar pelo que nunca chega
dormir com a esperança de não acordar
queria morrer sem sentir
que me deixas
no meio de pedras frias
sou uma ilha
a que poucos chegam
sofro de eterna solidão
de eterno abandono
no mar não encontro descanso
o meu peito aperta-se
ente muros de gelo
raios me fulminam
me reduzem ao medo
as palavras queimam-me
a ponta dos dedos
cola-se ao vidro
da janela que nunca te abro
abandonaste-me
num mar de tormentas
de palvras mudas
de rostos nus
sou tudo o que nunca quis ser
sou tudo o que não me deixam ser
o amanhã doi-me
a tua voz gelou dentro demim
num murmurio nunca ouvido
perdi-me por ti
não matei a sede
o deserto invade-me
o medo arrasta-me
bebo as palvras que nunca me disseste
arrasto-me como cão abandonado
pelas ruas do desconforto
procuro dono
procuro quem dome o meu desamor
desço uma escada sem fim
a procurando o que perdi de mim
que resta demim
depois deste medo me trespassar
afogo-me nas aguas da ignorancia
a casa em que habito
esta em ruinas
e o ceu pesa-me
pesa-me a dor
de já não te sentir
a vida abandonou-me
num dia em que o sol
caiu sobre o mar
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