quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Solidão

Estou só
e de mim não saio
nesta noite sonâmbula
espero por quem não vem
estou só
as mãos geladas
procuram o calor da palavra
estou só
e não tenho lágrimas
que me protejam do nada
procuro-te
nas sombras da noite
no fundo do rio
no fim das minhas mãos
procuro-te
para que me escutes
para que me dispas
e me aqueças
procuro-te
entre gentes
que não me dizem nada
a quem não me entrego
estou só
e a mim me reduzo
neste final de noite
estou só
e as mãos tremem-me
abraçando o nada
estou só
nada tenho
tudo procuro

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